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domingo, 7 de fevereiro de 2021

Ré Visões ©

Com nossos sentidos, e auxílio da Imaginação, vemos de fora para dentro, criando uma imagem refletida do mundo exterior, dentre as infinitas possibilidades que se apresenta. 
Ao ouvimos a voz interior, ela nos permite entrar em sintonia com a energia criadora mais pura, a intuição nos permite conduzir ao conhecimento da verdade, do ser, da essência, da existência.
Para interagir com o mundo interior precisamos abstrair de todo exterior: (entretenimento, distrações, ruído, informações, dados...), e interior: (crenças, valores, sentimentos, desejos, esperança...), precisamos esvaziar o ego para conhecê-lo no âmago verdadeiramente, conhecer o mar interior e enxergar o mundo real de dentro para fora.

Ulisses Pavinič 

sábado, 30 de janeiro de 2021

A FERA E A LUZ ©

Sou a caça e o caçador. Por ser caça e ao mesmo tempo o caçador, tenho que parar a caça a fim de que o caçador ajuste a mira, para conter a fera que há em mim.

O pensamento dos outros sobre mim, é apenas um pensamento, o julgamento que pessoas fazem de mim, é apenas um julgamento, o desejo que alguém sente por mim, é apenas um desejo. Não posso mais viver sem mim, fui o que fui, sou o que sou, porém hoje, não sou o que fui, e amanhã, não serei o que sou. Por vezes, nem mesmo sei quem sou verdadeiramente.

Preciso parar e dar o primeiro passo na direção do alto encontro, não posso mais me esconder nas sombras emaranhadas da escuridão, devo refletir verdadeiramente o que sou, e o que preciso mudar, me confrontar no espelho com sinceridade e franqueza, deixar cair o véu da ilusão, encarando o verdadeiro eu, olhar a fera nos olhos, desnudar o ser essência que existe em mim, e dar o segundo passo para seguir em frente. Daí então, o verdadeiro ser de luz que existe em mim, será revelado plenamente.

Ulisses Pavinič 

terça-feira, 5 de janeiro de 2021

PAZ EM MOVIMENTO ©

Penso que paz seja objetiva, mas também, subjetiva.
Acredito que ela atua no campo da consciência e se apresenta através de um sentimento e/ou um estado, podendo ter razões influenciadas por fenômenos ou fatos externos ou internos, causadas por um pensamento ou uma lembrança, ela pode também surgir de uma conquista, fruto do desejo e muita disciplina, ou ainda, através de uma ação, da realização de um sonho ou de um trabalho concluído, com consequências na vida prática. 
A cultura da paz é um conjunto de diretrizes e ações com o propósito de estabelecer uma nova maneira de pensar e agir, novos conceitos culturais ou resignificar paradigmas existentes, mudando e criando um novo ambiente mais propício para viver, conviver, coexistir com a humanidade e a natureza, realizando ações práticas que promovam uma nova cultura a fim de humanizar o que convencionalmente chamamos de "ser humano", adaptando-se a mudança de padrão energético que estamos enfrentando atualmente.
A arte, assim como a religião, têm importante papel para o desenvolvimento da cultura da paz. 
No processo evolutivo em que nos encontramos, estamos sujeitos a escolhas que podem ser na direção dos ensinamentos de Jesus, ou o contrário, portanto, passíveis de serem ações que reforcem a cultura da paz entre as pessoas, ou não. O ensinamento espírita orienta a ação humana para a caridade e o amor ao próximo, esses fatores são potencializadores no caminho em direção a paz.
Apesar de já ter experimentado o estado de paz, não saberia conceitua-la, somente descrever a experiência vivida.
Um conflito pode ser a oportunidade desencadeadora do estado de paz. Não teríamos a medida da paz se não houvesse o seu oposto.

Ulisses Pavinič 

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

O NADA É TUDO ©

O tudo só existe por causa do nada.
Tudo que existe tem o seu oposto correspondente, caso contrário não existiria. Isso vale para o micro e o macro, o imanente e o transcendente, o físico e o metafísico. Portanto, o universo tem seu oposto, que é o nada, da mesma maneira como existem os universos paralelos, com seus devidos opostos, ou seja, o nada.
Os opostos se atraem e têm a mesma energia, o que varia entre eles é o grau.
Então, quando mais nada existir, eis que surge tudo como se nada tivesse acabado. Tudo sempre começa quando o nada acaba. 
Do nada surge o tudo, e o tudo volta para o nada, que continua nesse movimento incessante, nessa circularidade que faz com que a existência passa fruir.
Daí, o tudo e o nada são a mesma coisa, permanecerão unidos infinitamente em uma única energia vital.
Tudo muda, só uma coisa permanece: A mudança. A vida é uma série de repetições inéditas de momentos únicos.
Ulisses Pavinič 

quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Filosofia de Aristóteles ©

Filosofia de Aristóteles
Partindo como Platão do mesmo problema acerca do valor objetivo dos conceitos, mas abandonando a solução do mestre, Aristóteles constrói um sistema inteiramente original. Os caracteres desta grande síntese são:
1. Observação fiel da natureza - Platão, idealista, rejeitara a experiência como fonte de conhecimento certo. Aristóteles, mais positivo, toma sempre o fato como ponto de partida de suas teorias, buscando na realidade um apoio sólido às suas mais elevadas especulações metafísicas.
2. Rigor no método - Depois de estudas as leis do pensamento, o processo dedutivo e indutivo aplica-os, com rara habilidade, em todas as suas obras, substituindo à linguagem imaginosa e figurada de Platão, em estilo lapidar e conciso e criando uma terminologia filosófica de precisão admirável. Pode considerar-se como o autor da metodologia e tecnologia científicas. Geralmente, no estudo de uma questão, Aristóteles procede por partes:
a) começa a definir-lhe o objeto;
b) passa a enumerar-lhes as soluções históricas;
c) propõe depois as dúvidas;
d) indica, em seguida, a própria solução;
e) refuta, por último, as sentenças contrárias.
3. Unidade do conjunto - Sua vasta obra filosófica constitui um verdadeiro sistema, uma verdadeira síntese. Todas as partes compõem-se, correspondem-se, confirmam-se.
O Pensamento: A Gnosiologia
Segundo Aristóteles, a filosofia é essencialmente teorética: deve decifrar o enigma do universo, em face do qual a atitude inicial do espírito é o assombro do mistério. O seu problema fundamental é o problema do ser, não o problema da vida. O objeto próprio da filosofia, em que está a solução do seu problema, são as essências imutáveis e a razão última das coisas, isto é, o universal e o necessário, as formas e suas relações. Entretanto, as formas são imanentes na experiência, nos indivíduos, de que constituem a essência. A filosofia aristotélica é, portanto, conceptual como a de Platão, mas parte da experiência; é dedutiva, mas o ponto de partida da dedução é tirado - mediante o intelecto da experiência. A filosofia, pois, segundo Aristóteles, dividir-se-ia em teorética, prática e poética, abrangendo, destarte, todo o saber humano, racional. A teorética, por sua vez, divide-se em física, matemática e filosofia primeira (metafísica e teologia); a filosofia prática divide-se em ética e política; a poética em estética e técnica. Aristóteles é o criador da lógica, como ciência especial, sobre a base socrático-platônica; é denominada por ele analítica e representa a metodologia científica. Aristóteles trata os problemas lógicos e gnosiológicos no conjunto daqueles escritos que tomaram mais tarde o nome de Órganon.
A Teologia
Objeto próprio da teologia é o primeiro motor imóvel, ato puro, o pensamento do pensamento, isto é, Deus, a quem Aristóteles chega através de uma sólida demonstração, baseada sobre a imediata experiência, indiscutível, realidade do vir-a-ser, da passagem da potência ao ato. Este vir-a-ser, passagem da potência ao ato, requer finalmente um não-vir-a-ser, motor imóvel, um motor já em ato, um ato puro enfim, pois, de outra forma teria que ser movido por sua vez. A necessidade deste primeiro motor imóvel não é absolutamente excluída pela eternidade do vir-a-ser, do movimento, do mundo. Com efeito, mesmo admitindo que o mundo seja eterno, isto é, que não tem princípio e fim no tempo, enquanto é vir-a-ser, passagem da potência ao ato, fica eternamente inexplicável, contraditório, sem um primeiro motor imóvel, origem extra-temporal, causa absoluta, razão metafísica de todo devir. Deus, o real puro, é aquilo que move sem ser movido; a matéria, o possível puro, é aquilo que é movido, sem se mover a si mesmo.
Da análise do conceito de Deus, concebido como primeiro motor imóvel, conquistado através do precedente raciocínio, Aristóteles, pode deduzir logicamente a natureza essencial de Deus, concebido, antes de tudo, como ato puro, e, consequentemente, como pensamento de si mesmo. Deus é unicamente pensamento, atividade teorética, no dizer de Aristóteles, enquanto qualquer outra atividade teria fim extrínseco, incompatível com o ser perfeito, auto-suficiente. Se o agir, o querer tem objeto diverso do sujeito agente e "querente", Deus não pode agir e querer, mas unicamente conhecer e pensar, conhecer a si próprio e pensar em si mesmo. Deus é, portanto, pensamento de pensamento, pensamento de si, que é pensamento puro. E nesta autocontemplação imutável e ativa, está a beatitude divina.
Se Deus é mera atividade teorética, tendo como objeto unicamente a própria perfeição, não conhece o mundo imperfeito, e menos ainda opera sobre ele. Deus não atua sobre o mundo, voltando-se para ele, com o pensamento e a vontade; mas unicamente como o fim último, atraente, isto é, como causa final, e, por conseqüência, e só assim, como causa eficiente e formal (exemplar). De Deus depende a ordem, a vida, a racionalidade do mundo; porém, ele não é criador, nem providência do mundo. Em Aristóteles o pensamento grego conquista logicamente a transcendência de Deus; mas, no mesmo tempo, permanece o dualismo, que vem anular aquele mesmo Absoluto a que logicamente chegara, para dar uma explicação filosófica da relatividade do mundo pondo ao seu lado esta realidade independente dele.
A Cosmologia
Uma questão geral da física aristotélica, como filosofia da natureza, é a análise dos vários tipos de movimento, mudança, que já sabemos ser passagem da potência ao ato, realização de uma possibilidade. Aristóteles distingue quatro espécies de movimentos:
1. Movimento substancial - mudança de forma, nascimento e morte;
2. Movimento qualitativo - mudança de propriedade;
3. Movimento quantitativo - acrescimento e diminuição;
4. Movimento espacial - mudança de lugar, condicionando todas as demais espécies de mudança.
Outra especial e importantíssima questão da física aristotélica é a concernente ao espaço e ao tempo, em torno dos quais fez ele investigações profundas. O espaço é definido como sendo o limite do corpo, isto é, o limite imóvel do corpo "circundante" com respeito ao corpo circundado. O tempo é definido como sendo o número - isto é, a medida - do movimento segundo a razão, o aspecto, do "antes" e do "depois". Admitidas as precedentes concepções de espaço e de tempo - como sendo relações de substâncias, de fenômenos - é evidente que fora do mundo não há espaço nem tempo: espaço e tempo vazios são impensáveis.
Uma terceira questão fundamental da filosofia natural de Aristóteles é a concernente ao teleologismo - finalismo - por ele propugnado com base na finalidade, que ele descortina em a natureza.  "A natureza faz, enquanto possível, sempre o que é mais belo". Fim de todo devir é o desenvolvimento da potência ao ato, a realização da forma na matéria.
Quanto às ciências químicas, físicas e especialmente astronômicas, as doutrinas aristotélicas têm apenas um valor histórico, e são logicamente separáveis da sua filosofia, que tem um valor teorético. Especialmente célebre é a sua doutrina astronômica geocêntrica, que prestará a estrutura física à Divina Comédia de Dante Alighieri.
Religião
Com Aristóteles afirma-se o teísmo do ato puro. No entanto, este Deus, pelo seu efetivo isolamento do mundo, que ele não conhece, não cria, não governa, não está em condições de se tornar objeto de religião, mais do que as transcendentes idéias platônicas. Também Aristóteles, como Platão, se exclui filosoficamente o antropomorfismo, não exclui uma espécie de politeísmo, e admite, ao lado do Ato Puro e a ele subordinado, os deuses astrais, isto é, admite que os corpos celestes sejam animados por espíritos racionais. Entretanto, esses seres divinos não parecem e não podem ter função religiosa e sem física.
Não obstante esta concepção filosófica da divindade, Aristóteles admite a religião positiva do povo, até sem correção alguma. Explica e justifica a religião positiva, tradicional, mítica, como obra política para moralizar o povo, e como fruto da tendência humana para as representações antropomórficas; e não diz que ela teria um fundamento racional na verdade filosófica da existência da divindade, a que o homem se teria facilmente elevado através do espetáculo da ordem celeste. 
A Psicologia
Objeto geral da psicologia aristotélica é o mundo animado, isto é, vivente, que tem por princípio a alma e se distingue essencialmente do mundo inorgânico, pois, o ser vivo diversamente do ser inorgânico possui internamente o princípio da sua atividade, que é precisamente a alma, forma do corpo. A característica essencial e diferencial da vida e da planta, que tem por princípio a alma vegetativa, é a nutrição e a reprodução. A característica da vida animal, que tem por princípio a alma sensitiva, é precisamente a sensibilidade e a locomoção. Enfim, a característica da vida do homem, que tem por princípio a alma racional, é o pensamento. Todas estas três almas são objeto da psicologia aristotélica.
A Política
A política aristotélica é essencialmente unida à moral, porque o fim último do estado é a virtude, isto é, a formação moral dos cidadãos e o conjunto dos meios necessários para isso. O estado é um organismo moral, condição e complemento da atividade moral individual, e fundamento primeiro da suprema atividade contemplativa. A política, contudo, é distinta da moral, porquanto esta tem como objetivo o indivíduo, aquela a coletividade. A ética é a doutrina moral individual, a política é a doutrina moral social. Desta ciência trata Aristóteles precisamente na Política.
O estado, então, é superior ao indivíduo, porquanto a coletividade é superior ao indivíduo, o bem comum superior ao bem particular. Unicamente no estado efetua-se a satisfação de todas as necessidades, pois o homem, sendo naturalmente animal social, político, não pode realizar a sua perfeição sem a sociedade do estado.
Juízo sobre Aristóteles
É difícil aquilatar em sua justa medida o valor de Aristóteles. A influência intelectual por ele até hoje exercida sobre o pensamento humano e à qual se não pode comparar a de nenhum outro pensador dá-nos, porém, uma idéia da envergadura de seu gênio excepcional. Criador da lógica, autor do primeiro tratado de psicologia científica, primeiro escritor da história da filosofia, patriarca das ciências naturais, metafísico, moralista, político, ele é o verdadeiro fundador da ciência moderna e "ainda hoje está presente com sua linguagem científica não somente às nossas cogitações, senão também à expressão dos sentimentos e das idéias na vida comum e habitual".
Nem por isso podemos deixar de apontar as lacunas do seu sistema. Sua moral, sem obrigação nem sanção, é defeituosa e mais gravemente defeituosa ainda que a teodicéia, sobretudo na parte que trata das relações de Deus com o mundo. O dualismo primitivo e irredutível entre Deus, ato puro, e a matéria, princípio potencial, é, na própria teoria aristotélica, uma verdadeira contradição e deixa subsistir, como enigma insolúvel e inexplicável, a existência dos seres fora de Deus.
Ulisses Silva

Grupos Sociais ©








PERÍODO INTERMEDIÁRIO DA EVOLUÇÃO SOCIETÁRIA ©

LICENCIATURA EM FILOSOFIA

ULISSES SILVA



PERÍODO INTERMEDIÁRIO DA EVOLUÇÃO SOCIETÁRIA
ESTÁGIOS, ASPECTOS: POLÍTICO; RELIGIOSO; CULTURAL; E FATORES INTERVENIENTES DE SOCIEDADES INTERMEDIARIAS



O presente trabalho tem o objetivo de demonstrar as características das sociedades ocidentais e orientais que existiram no estagio arcaico e avançado do período intermediário da evolução das civilizações, e os fatores intervenientes na diferenciação dessas culturas, bem como, situa-la no período e estágio do desenvolvimento. E a finalidade de evidenciar a sequência dessa evolução e a herança cultural que as sociedades atuais possuem, das diversas civilizações arcaicas.
Sua estrutura levou em consideração os aspectos predominantes (religiosos, políticos), que influenciaram na construção sociocultural de cada uma delas, destacando suas características próprias, e apresentando de forma sintética o que foi extraído da compreensão das sociedades intermediarias.



No período intermediário da evolução societária surgiram em varias partes as sociedades arcaicas, sobretudo na China, subcontinente Indiano, sudoeste da Ásia e na America, os astecas, Maias e Incas,
Isso mostra, que os fatores intervenientes nos aspectos social político religioso e cultural podem ser variados, entretanto, a evolução se processa dentro de uma seqüência crescente, passando por todos os períodos e etapas, e ainda, que pode haver formas de interação cultural entre os estágios, por um processo de apropriação ou associação em uma convivência pacifica, por interesse ou vantagens mutuas quando há interação, ou por conquista e subordinação nas interpenetrações. Essa seqüência é atemporal, ou seja, seu desenvolvimento pode acontecer simultaneamente ou não, nos mesmos espaços de tempo, sem que haja uma uniformidade nos resultados dessas ações, outrossim, em todos os períodos da evolução societária, coexistiram desde as sociedades primitivas até as mais evoluídas.
Destacamos no processo evolucionário que as invenções e descobertas são fundamentais no alargamento do poder mental do individuo e na luta contra os obstáculos, possibilitando a ampliação de novas tarefas e o acumulo de experiências, assim como, as instituições domesticas, que abarcam instituições; religiosas; políticas; costumes: vida domestica; linguagem; arquétipo; idéias e sentimentos de paixões e aspirações tem grande influencia nos poderes morais, a construção das sociedades  passas elas.
Salientamos que os progressos nesse período tenham ocorrido em um espaço relativamente pequeno de tempo e em diversas sociedades a partir do Mediterrâneo Oriental (Grécia e Israel) até a índia e china a partir aproximadamente do sec. 500 a.C. em geral todas as sociedades surgidas na sua origem, dependeram de certa formada herança cultural anterior.
As sociedades arcaicas foram as basilares do período intermediário da evolução, diferenciando-se da anterior em vários aspectos, sendo a alfabetização o fator principal dessas mudanças, no primeiro momento como oficio, ou seja, esse aprendizado estava ligado a objetivos administrativos, místicos e clericais, num segundo momento, como característica da classe alta das sociedades intermediarias adiantadas, a alfabetização completa da elite, como instrumento cultural, e sobretudo uma forma de dominação das classes pertencentes à base piramidal. A principal base da economia desse período estava ligada a terra, a arte e os ofícios, a agricultura e o comercio foram predominantemente decisivos para a expansão territorial e cultural.
O padrão social do estagio arcaico era dividido em três classes, o monarca no topo da pirâmide exercia a autoridade política e religiosa; um grupo intermediário responsável pelo funcionamento da sociedade, composto por funcionários do governo ou templos, com atribuições administrativas imbuídos de autoridade e gozando de prestigio social, e os representantes da alta clerezia; por fim o povo, abarcando principalmente os cultivadores do solo, incluídos também artesãos e comerciantes, esses últimos com possibilidades de ascensão à classe intermediaria.
No estagio adiantado as sociedades caracterizam-se por apresentarem uma divisão em classes com base no desenvolvimento cultural, sendo mais acentuada no caso de China com uma linguagem comum e unidade cultural unificada, e Índia, onde essa influência aconteceu muito mais em torno dos laços familiares, que pela cultura de outras sociedades ocidentais, mesmo com as invasões ocorridas na Índia essas influências agiram tardiamente, no império romano há uma superação da concepção de povo predominante na cultura islâmica, nele desenvolvem um sistema societário a partir de um padrão tradicional das cidades gregas e romanas (polis ou urbs), com cidades independentes, a sociedade Islâmica assumiu um papel muito geral e fragmentado, pela diversidade de povos que foram dominados e permaneceram ligados a cultura de origem. Em todas elas notamos uma inversão no papel social, as sociedades adiantadas dependem mais da cultura ao passo em que nas sociedades arcaicas a cultura dependia da sociedade.
Levando em considerando o aspecto político nas comunidades arcaicas, observa-se que os cargos e funções da estrutura administrativa e do sistema religioso eram controlados por linhagens hereditárias: monárquica e ou clerical, em alguns casos incluindo outros grupos pertencentes a classe alta. Nesse período a monarquia predominou como forma de governo estabelecido, sua estrutura política apresentava um mecanismo administrativo complexo, onde o poder do soberano estava ligado diretamente a atributos divinos, e apesar de apresentar independência no comando desse poder, possuíam uma ligação intrínseca e subliminar associação à religião, variando em graus de influencia em cada sociedade.
Notamos que o desenvolvimento encetar do nível intermediário induziu a diferença das características sociais entre o Egito e a Mesopotâmia, nas formas de apresentação dos aspectos político e religioso, cada uma delas ainda utilizando características rudimentares das sociedades primitivas adiantadas. No Egito onde predominou certa analogia entre o faraó e os deuses, se alcançou o mais elevado grau de desenvolvimento de monarquia divina, com sua estrutura hierárquica e burocrática, pouco segmentada. Na Mesopotâmia subentende-se uma estrutura mais segmentaria em comunidades urbanas, contudo sem uma união com a divindade.
Nas intermediaras adiantadas esse controle pertenciam à nobreza. Na China e Índia fundamentaram-se na cultura, com uma rigidez na hierarquia das classes, onde as elites formadas pela combinação dos matizes societárias mais amplas subjugavam uma massa com baixos padrões socioculturais. Na civilização romana, o aspecto político determina as bases da organização social, com imposição de uma ordem normativa. Já nas sociedades islâmicas essas bases foram constituídas através do aspecto religioso, 
A característica cultural das sociedades chinesa e Indiana são frutos do progresso filosófico, atingindo níveis elevados de generalização nos sistemas simbólicos constitutivos, causando um choque dessas novas orientações e as estruturas sociais em que surgiram. Na corte chinesa a participação não estava associada à linhagem, apesar da permanência da estrutura familiar na sociedade, nem a grupos religiosos, havia uma classe de pessoas livres de quem o monarca dependia para serviços administrativos. Diferentemente das sociedades arcaicas onde a legitimação dependia do Faraó e os vários níveis cosmológicos, na sociedade chinesa o imperador impunha um padrão com seu fundamento na realidade, em certo sentido a função era de articulador entre o cósmico e humano. 
A linguagem comum integrava a sociedade, a educação era baseada nos preceitos do confucionismo, tornando o erudito o cidadão da classe alta, o padrão social era definido pelo nível cultural. A harmonia das entidades diferenciadas e cooperação dos opostos, era a forma de organização da sociedade chinesa, sua ordem difusa e particularizada, com uma dicotomia entre o escalão superior e inferior onde cada um tinha o seu lugar devido, adequado e indicado na sociedade. A maneira existente para a passagem de uma classe a outra mais elevada, se dava através de acumulo de terras e propriedades ou pelo processo de educação os chamados eruditos.
As limitações na constituição de preceitos legais do direito chinês, a saber racionalização substantiva e temas particulares; a estrutura econômica insuficiente para dar suporte a grandiosidade e diversidade do mercado; e a manutenção da estrutura de poder dos grupos econômicos familiares, impediram a evolução da sociedade chinesa.
A estrutura social precede o desenvolvimento cultural indiano, superando o chinês, com a separação do sistema de crenças da estrutura social, mantendo a dicotomia das classes dominantes e subordinadas, a civilização conviveu com uma sociedade arcaica ao noroeste da Índia, as influencias culturais grega romana decorreram com as infiltrações arianas ao norte, com eles chegaram uma nova língua e a religião centralizada nos deuses védicos, nesse período os descendentes dos “invasores” construíram uma classe superior contrastando com a classe inferior formada pelos nativos indígenas “dravidas”.
Paralelamente ao novo sistema religioso surge uma divisão de classes: brâmanes, classe sacerdotal; xátrias, nobreza militar; vaicias, proprietários rurais e comerciantes, constituindo em conjunto os “duas vezes nascidos”, ou classe superior, e os sudras puros e impuros, cultivadores de solo e empregados de funções inferiores; por fim os intocáveis que eram os excluidos.
A unidade político/administrativas eram as varnas, porem a unidade efetiva tinham como base as castas ou subcastas, onde a dualidade da legitimização religiosa entra as classes nunca foram superadas A sociedade indiana conviveu ao mesmo tempo com diversas religiões: Bramanismo Hinduísmo, que se basearam na liturgia védica, e o Budismo, posteriormente a Ghandi. O conceito filosófico existencial que elas apresentavam, estavam fundados na causação moral, transferindo para o individuo a responsabilidade pelas ações e situações a que estavam expostos, sendo assim, a condição de inferioridade estava institucionalizada, justificando de certa maneira as diferenças sociais, então, a luta era para ultrapassar essa condição que somente mudaria com uma nova encarnação.
A sociedade Romana era composta por classes com o núcleo nas cidades-estado e dirigida por um patriarca mais velho, todas ligadas e dependentes do poder central, com uma democracia que dava mais status a cidadania, que a divisão por posição social predominante nas civilizações da época, apesar de não assegurar a todas as pessoas a participação nos processos políticos e administrativos, possuíam um sistema político complexo, o sistema legal acompanhou esse de forma paralela o desenvolvimento político, sobretudo no estabelecimento de poderes aos chefes de famílias dirigentes das cidades estados.
A vasta extensão do território romano, e seu longo período de domínio imperial, leva em consideração a sua organização militar, mas sobretudo os princípios filosóficos da lei da natureza que forneceu as bases para o sistema legal institucionalizado. Sua unidade era político militar e legal, não abrangia a cultural, a falta de capacidade para desenvolver um sistema religioso dinâmico que assegurasse o fortalecimento e legitimação da comunidade societária, o afrouxamento das fronteiras, e sua economia baseada na mão de obra escravagista, por fim, pela necessidade de preencher a lacuna cultural adota o cristianismo como religião oficial, talvez tenham sido os fatores decisivos para o fim do império romano.
O Islã foi um produto das tradições semíticas cristãs, e uma derivação das tradições culturais de Israel. Por não possuir uma abrangência territorial, nem um grupo religioso unido, e mais ainda, por terem perdido a identidade étnica durante sua expansão, e ao estabelecer uma flexibilidade circunstancial em seus preceitos normativos, acabam por criar uma miscelânea de orientações político-religiosa, dificultando a manutenção de uma sociedade unida. As duas sociedades possuíam uma concepção ampla de penetração social dentro de um sistema de casta mesmo cada apresentando peculiaridades nos critérios de inserção nos grupos sociais.
As sociedades adiantadas criaram organizações políticas independentes, integraram grandes populações e grandes territórios, mas nem todos tiveram o mesmo êxito na manutenção dessas estruturas com estabilidade e independência.
No aspecto religioso as civilizações arcaicas desenvolveram um sistema cultural cosmológico, utilizado como mecanismo de controle administrativo, tornando-se a base constitutiva dessas sociedades, A sua composição esta fundamentada em comunidades locais rompendo com a estrutura religiosa familiar. Nessa ocasião predominava as religiões politeístas, apesar de o monoteísmo ter surgido por algum tempo.
Já nas civilizações adiantadas esses aspetos desenvolvem-se de forma variada em cada sociedade, destacamos a china com o confucionismo, onde apresenta um caráter que se aproxima mais das religiões arcaicas de que das religiões históricas próprias do estagio intermediário avançado, a característica da religiosidade védica Indiana, centralizava-se no politeísmo e culto de sacrifícios, acreditavam na mortalidade da alma e reencarnação, tinham uma influencia na divisão de classes. o cristianismo adotado tardiamente em Roma muito mais pelo movimento de agregação cultural que pela profissão de fé religiosa, e a dualidade existente no Islamismo que por um lado havia um impulso para unificar politicamente os seguidores por outro as massas islâmicas permaneciam atreladas às suas respectivas sociedades agrárias ou nômades.




ANEXO

ORGANOGRAMA DOS PERIODOS DO DESENVOLVIMENTO SOCIETARIO DESTACANDO O ESTAGIO INTERMEDIARIO






REFERÊNCIAS


PARSONS, TAlcott. SOCIEDADES: perspectivas evolutivas e comportamento. São Paulo: Pioneira, 1988.

A Ontologia de Aristóteles ©

A reflexão critica sobre o caráter próprio da filosofia primeira

O que é enquanto é e seus atributos primeiros
O primeiro princípio
Estrutura cientifica e analise dos princípios da filosofia primeira
Procura da substância
Descoberta do ser em ato
Propriedades de o-que-é enquanto ser: o uno
A Metafísica
A metafísica aristotélica é "a ciência do ser como ser, ou dos princípios e das causas do ser e de seus atributos essenciais". Ela abrange ainda o ser imóvel e incorpóreo, princípio dos movimentos e das formas do mundo, bem como o mundo mutável e material, mas em seus aspectos universais e necessários. A metafísica especial tem esta como objeto o mundo que - vem-a-ser - natureza e homem - e culmina no que não pode - vir-a-ser - isto é, Deus. As quatro as questões gerais da metafísica aristotélica são: 1.potência e ato; 2.matéria e forma; 3.particular e universal; 4.movido e motor.
A primeira e a última abraçam todo o ser, a segunda e a terceira todo o ser em que está presente a matéria.
I. A doutrina da potência e do ato é fundamental na metafísica aristotélica: potência significa possibilidade, capacidade de ser, não-ser atual; e ato significa realidade, perfeição, ser efetivo. Todo ser, que não seja o Ser perfeitíssimo, é, portanto uma síntese - um sínolo - de potência e de ato, em diversas proporções, conforme o grau de perfeição, de realidade dos vários seres. Um ser desenvolve-se, aperfeiçoa-se, passando da potência ao ato; esta passagem da potência ao ato é atualização de uma possibilidade, de uma potencialidade anterior. Esta doutrina fundamental da potência e do ato é aplicada - e desenvolvida - por Aristóteles especialmente quando da doutrina da matéria e da forma, que representam a potência e o ato no mundo, na natureza em que vivemos.
II. Aristóteles não nega o vir-a-ser de Heráclito, nem o ser de Parmênides, mas une-os em uma síntese conclusiva, já iniciada pelos últimos pré-socráticos e grandemente aperfeiçoada por Demócrito e Platão. Segundo Aristóteles, a mudança, que é intuitiva, pressupõe uma realidade imutável, que é de duas espécies. Um substrato comum, elemento imutável da mudança, em que a mudança se realiza; e as determinações que se realizam neste substrato, a essência, a natureza que ele assume. O primeiro elemento é chamado matéria (prima), o segundo forma (substancial). O primeiro é potência, possibilidade de assumir várias formas, imperfeição; o segundo é atualidade realizadora, especificadora da matéria, perfeição. A síntese - o sínolo - da matéria e da forma constitui a substância, e esta, por sua vez, é o substrato imutável, em que se sucedem os acidentes, as qualidades acidentais. A mudança, portanto, consiste ou na sucessão de várias formas na mesma essência, forma concretizada da matéria, que constitui precisamente a substância.
A matéria sem forma, a pura matéria, chamada matéria-prima, é um mero possível, não existe por si, é um absolutamente interminado, em que a forma introduz as determinações. A matéria aristotélica, porém, não é o puro não-ser de Platão, mero princípio de decadência, pois ela é também condição indispensável para concretizar a forma, ingrediente necessário para a existência da realidade material, causa concomitante de todos os seres reais.
Então não existe, propriamente, a forma sem a matéria, ainda que a forma seja princípio de atuação e determinação da própria matéria. Com respeito à matéria, a forma é, portanto, princípio de ordem e finalidade, racional, inteligível. Diversamente da idéia platônica, a forma aristotélica não é separada da matéria, e sim imanente e operante nela. Ao contrário, as formas aristotélicas são universais, imutáveis, eternas, como as idéias platônicas.
Os elementos constitutivos da realidade são, portanto, a forma e a matéria. A realidade, porém, é composta de indivíduos, substâncias, que são uma síntese - um sínolo - de matéria e forma. Por conseqüência, estes dois princípios não são suficientes para explicar o surgir dos indivíduos e das substâncias que não podem ser atuados - bem como a matéria não pode ser atuada - a não ser por um outro indivíduo, isto é, por uma substância em ato. Daí a necessidade de um terceiro princípio, a causa eficiente, para poder explicar a realidade efetiva das coisas. A causa eficiente, por sua vez, deve operar para um fim, que é precisamente a síntese da forma e da matéria, produzindo esta síntese o indivíduo. Daí uma quarta causa, a causa final, que dirige a causa eficiente para a atualização da matéria mediante a forma.
III. Mediante a doutrina da matéria e da forma, Aristóteles explica o indivíduo, a substância física, a única realidade efetiva no mundo, que é precisamente síntese - sínolo - de matéria e de forma. A essência - igual em todos os indivíduos de uma mesma espécie - deriva da forma; a individualidade, pela qual toda substância é original e se diferencia de todas as demais, depende da matéria. O indivíduo é, portanto, potência realizada, matéria enformada, universal particularizado. Mediante esta doutrina é explicado o problema do universal e do particular, que tanto atormenta Platão; Aristóteles faz o primeiro - a idéia - imanente no segundo - a matéria, depois de ter eficazmente criticado o dualismo platônico, que fazia os dois elementos transcendentes e exteriores um ao outro.
IV. Da relação entre a potência e o ato, entre a matéria e a forma, surge o movimento, a mudança, o vir-a-ser, a que é submetido tudo que tem matéria, potência. A mudança é, portanto, a realização do possível. Esta realização do possível, porém, pode ser levada a efeito unicamente por um ser que já está em ato, que possui já o que a coisa movida deve vir-a-ser, visto ser impossível que o menos produza o mais, o imperfeito o perfeito, a potência o ato, mas vice-versa. Mesmo que um ser se mova a si mesmo, aquilo que move deve ser diverso daquilo que é movido, deve ser composto de um motor e de uma coisa movida. Por exemplo, a alma é que move o corpo. O motor pode ser unicamente ato, forma; a coisa movida - enquanto tal - pode ser unicamente potência, matéria. Eis a grande doutrina aristotélica do motor e da coisa movida, doutrina que culmina no motor primeiro, absolutamente imóvel, ato puro, isto é, Deus.
Ulisses Silva

quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

MeccaDonald's: O antiamericanismo antropofágico. É isso aí! ©

Ao investir contra os valores de liberdade e espírito competitivo que existe em seu país, o atual presidente do EEUU , George W. Bush é de certa forma comparado aos grandes ditadores de governos totalitários que viveram e vivem no planeta, incluindo aqueles que ele próprio intitulou de inimigos da democracia na tentativa de justificar suas insanidades, portanto, torna-se assim também um inimigo do povo americano.
Após os atentados do 11 de Setembro o "Imperador" determina uma sentença de caça aos "inimigos" da democracia, sendo pouquíssimos os que o apoiam nessa empreitada, provocando em todo o planeta uma onda de protesto e de boicote aos produtos e serviços nacionais, prosperando então aqueles oriundos de países do oriente médio, a exemplo da Mecca-Cola e da rede de TV Al-Jazeera.

Quando subestima a inteligência humana, ele fornece munição para os países do chamado "eixo do mal" multiplicarem suas empresas com propósitos anti-americanistas, tornando inevitável o seu crescimento e insustentável a presença crescente de empresas americanas, mesmo aquelas disfarçadas, ficando de fora dessa onda aquelas que tem visão e bom senso, incluídas nesse meio as anti-imperialista , as quais adaptam-se às condições e mudanças globais.

14 de Abril de 2007.

Ulisses Silva

A Obra de Arte ©

Estética Filosófica

Ulisses da Silva Santana

A obra de arte de Stephane Ferret

Quais são os critérios usados pelo autor para defender a tese?

Como o autor argumenta esses critérios?

Quais as resposta que o autor dá a respeito da obra de arte?


No texto A Obra de Arte o autor Stephane Ferret, levanta duas questões; O que é obra de arte? E como conhecemos uma obra de arte?

Ferret usa uma fundamentação racional para afirmar sua crença sobre o que é uma obra de arte. Ele nega que a aparência estética, a estrutura, a característica interna, sejam propriedades de uma obra de arte, assim como a emoção e a subjetividade possam definir a sua natureza. A obra de arte não esta subordinada a uma forma, uma condição ou uma regra. Apesar disso, ele afirma também, que todos esses aspectos e dimensões fazem parte de uma obra de arte, assim como são necessárias à sua garantia a posição no mundo e a institucionalidade humana .

O autor começa por negar que uma obra de arte seja algo que se defina por sua aparência ou propriedades estéticas ao mesmo tempo em que admite fazer parte dela assim como de qualquer outra coisa existente no mundo como uma característica parcial, a aparência é apenas ilusória, causa um juízo de fato, um sentimento de comoção e fascínio àquele que esteja diante de algo “se é verdade que a aparência é o sal da obra de arte, não é menos verdade que ela entra em linha de conta na identidade das obras de arte... nada nos permite afirmar que as obras de arte são reconhecidas pela sua aparência.”. Pintura, escultura, literatura, cinema e televisão dentre outras, são categorias das obras de artes. Mas não deve-se confundir categoria com identificação. Todos os objetos de arte tem uma aparência, são também estéticos pelo simples fato de existirem, mas, não é ela que os torna arte, sendo inútil defini-la somente por esse aspecto. Assim, pode-se dividi-los em simples objetos ou obra de arte, tudo isso depende de uma trama que envolve subjetividade, convenção, realidade e posição.

Em segundo lugar, Ferret afirma que a obra de arte não possui uma estrutura interna que a caracterize, não é composta de moléculas, não possui código genético nem número atômico que possam identificá-la,  não é substancia nem possui essência, obra de arte é uma instituição humana portanto, não pode ter um conceito ontológico mas sim epistemológico. “Se nem a estrutura escondida nem as propriedades estéticas permitem estabelecer essa distinção, nada mais subsiste ao objeto.”

Em seguida ele diz que a noção de estética tem a função de suscitar emoções, porém essa vocação não é uma propriedade perceptível na obra de arte, qualquer coisa no meio de um lote de objetos anônimos pode ser ou não considerado objeto de arte, essa dificuldade cética é contraria aos fatos reais, pois, no cotidiano, “todos sabemos identificar uma escultura de Rodim e uma bola de neve” existe uma contradição cética na impossibilidade de considerar um objeto de arte no meio de um lote de objetos anônimos e que qualquer pode identificar uma obra de arte, o problema  é compreender quando uma coisa pode ser ou não uma obra de arte. “O que esta em questão não é a diferença entre os juízos e os fatos, mas a diferença entre as propriedades intrínsecas e as propriedades extrínsecas:”. Obra de arte não tem uma natureza própria, depende do contexto social e envolvimento cultural, do posicionamento no mundo. Um objeto não é obra de arte, mas sim considerado e posicionado como tal. Extrair o ser do não ser, criação humana, depende da posição e exposição, do contexto cultural, temporal e espacial, ou seja da sua colocação no mundo.

Outro ponto é que o grau de perfeição de uma obra, depende da sua exposição ao longo de sua duração. “Se a Gioconda tivesse ficado ao longo dos séculos num celeiro, tratar-se-ia por definição (...) do mesmo objeto que conhecemos. Porem, se esse objeto não tivesse se beneficiado da exposição no Louvre, não se trataria da mesma obra de arte.”. por um lado, se Leonardo tivesse utilizado outro material para Gioconda que conhecemos hoje ela seria a mesma, por outro lado se um autor desconhecido fizesse uma Gioconda com o material original que foi feita ela não seria a mesma, seria semelhante e diferente. “As obras de arte mais do que qualquer outro objeto, não resistiriam ao desafio da lógica da identidade.”. Obras de arte não são entidades impostas, elas possuem um estatuto imaginário.